cabelos e alimentação

O histórico de seu cabelo pode mostrar se você prefere comer hambúrgueres de carne com bacon ou hambúrgueres vegetarianos. Estudos científicos provam que cada milímetro de seus cabelos consegue construir um registro de sua alimentação. Isso porque os cabelos se constroem através de aminoácidos presentes na comida. Portanto, os cabelos armazenam os traços químicos da proteína presente nos alimentos que ingerimos.

Dessa maneira, pesquisadores da Universidade de Utah (EUA) atestaram que a pesquisa dos aminoácidos revelou certas diferenças nas dietas que variam de acordo com o poder sócio econômico de cada um.
O estudo foi publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)” e segundo os pesquisadores esta é uma forma de poder avaliar a dieta de uma comunidade e seus riscos à saúde.

De acordo com o professor Jim Ehleringer, da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Utah. “Essas informações podem ser usadas para quantificar as tendências alimentares de maneiras que as pesquisas não conseguem capturar. Gostaríamos de ver a comunidade de saúde começar a avaliar padrões alimentares usando pesquisas de isótopos capilares, especialmente em diferentes grupos econômicos nos EUA.”

Desde a década de 1990, Ehleringer e outros pesquisadores da Universidade de Utah pesquisam de que maneira a dieta dos mamíferos reflete em seus pelos.

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Uma das conclusões é que conforme a comida se decompõe em aminoácidos, os isótopos presentes nela, incluindo os de carbono e nitrogênio, chegam a todas as partes do corpo, inclusive ao cabelo. Ainda concluíram que as proporções de oxigênio e isótopos presentes na água variam de acordo com a geografia. Portanto, composição isotópica do cabelo poderia mostrar onde a pessoa esteve em virtude dos isótopos na água que beberam.

Cabelos x alimentação e nível sócio econômico

Os cientistas precisavam de algumas amostras de cabelos. Para isso, foram a barbearias de 65 cidades dos EUA. Eles também coletaram amostras de 29 códigos de endereçamento postal (CEPs) no Vale de Salt Lake (região onde está Salt Lake City, capital de Utah) para estudar intensivamente uma única área urbana. As coletas foram feitas no lixo das barbearias. Portanto trata-se de amostras “cegas” em relação a idade, sexo, renda, estado de saúde ou qualquer outro fator, exceto pelo registro isotópico. Juntos, eles coletaram amostras representando cerca de 700 pessoas.

Por exemplo, algumas das amostras do Vale do Salt Lake demonstraram alguns fatores por conta da variação isótopica: “Não imaginávamos que fosse possível estimar o custo médio que um indivíduo pagou pelo corte de cabelo sabendo os valores [dos isótopos de carbono]”, escreveram os autores.

Finalmente, o que a pesquisa pode provar é que através da análise dos isótopos capilares é possível avaliar os riscos à saúde de uma comunidade. “Essa medida não é influenciada por lembranças pessoais, ou lembranças erradas, que seriam refletidas em pesquisas alimentares. Como uma medida integrada e de longo prazo da dieta de um indivíduo, ela pode ser usada para entender as escolhas alimentares entre diferentes faixas etárias e diferentes grupos socioeconômicos”, explica Ehleringer.